Consumismo.
Meditação

Ensinamentos de São Tomás de Aquino sobre o consumismo

Atualmente o consumismo tem alcançado proporções altamente prejudiciais e transforma algumas pessoas em verdadeiras dependentes dos bens materiais. Quanto mais se tem, mais se quer, e mais vazio se sente. O artigo de hoje vem falar sobre essa realidade, baseando-se em algumas referências à Summa Theologiae, de São Tomás de Aquino.

Quem foi São Tomás de Aquino?

São Tomás de Aquino
São Tomás de Aquino.

Tomás de Aquino, em italiano Tommaso d’Aquino (Roccasecca, 1225 – Fossanova, 7 de março de 1274), foi um frade católico da Ordem dos Pregadores (dominicano). Suas obras influenciaram a teologia e a filosofia, principalmente na tradição conhecida como Escolástica, e que, por isso, é conhecido como “Doctor Angelicus“, “Doctor Communis” e “Doctor Universalis“. “Aquino” é uma referência ao condado de Aquino, uma região que foi propriedade de sua família até 1137.

O consumismo e 5 dimensões do pecado da gula:

  1. Ardenter – ansioso: Minha mãe costumava dizer: “Esse dinheiro está queimando no bolso!” Corremos para as lojas como se os melhores ou os únicos bens pudessem ser encontrados lá. Nada que podemos comprar pode durar; nada que compramos satisfará nossas almas – então, por que a pressa?
  2. Praepropere – precipitado: (a primeira forma de devassidão): essa é a ilusão sedutora do “Compre agora, pague depois!” Essa é a armadilha do cartão de crédito – usá-lo para comprar agora e deixar para pagar depois, quando não se pode.
  3. Laute – dispendioso: (a segunda forma de devassidão): esta é uma forma de desperdício. Não se endividou, mas se gastou muito em relação a outras obrigações. Para uma pessoa consumista, “bom o suficiente” nunca é “bom o suficiente”.
  4. Nimis – em grande parte do tempo: (a terceira forma da devassidão): isso é a “terapia das compras” ou comprar como hobby. Aqui se é consumido pelo consumo. 
  5. Studiose – consumindo de forma muito detalhista: entra aqui o logotipo como símbolo de status; a marca como uma medida do nosso valor. Quando a identidade e o valor da pessoa não estão enraizados no espiritual, falta um sentimento de pertença. Consequentemente, surge uma estratégia (às vezes uma estratégia consciente, às vezes não) para nos adornar com os símbolos de uma marca cobiçada. Pode significar falta de valorização pessoal.

A conclusão a seguir é de Robert McTeigue, SJ.

Os termos de Tomás de Aquino podem não ser familiares. E essa adaptação pode soar estranha. Mas vejamos um exemplo de excesso de consumismo: hoje se pode até contratar um “consultor de closet” para aconselhá-lo a reorganizar seu armário para abrir espaço para mais coisas.

Não seria sinal de um vício? Não seria um indicador de que estamos desesperadamente infelizes e não sabemos por quê? Que fome estamos tentando alimentar? Quão profunda é o vazio que estamos tentando preencher?

O que fazer? Bem, podemos falar sobre desejos versus necessidades – isso não é ruim, mas não é suficiente. Isso só aborda a dimensão material. Precisamos de um senso adequado de prioridades. O filósofo Kierkegaard disse: “O que é relativo deve ser tratado relativamente; o que é absoluto deve ser tratado absolutamente”. O único absoluto é Deus. Temos de limpar o altar de nossos corações para encontrar o único digno de adoração, o único bem que pode satisfazer nossos corações e completar nossas vidas.

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