ressentimento
Agregando Valores

Não deixe que o ressentimento faça morada em seu coração

Não devemos deixar que o ressentimento faça morada em nosso coração e amargue toda a nossa vida, afinal, ele é como uma fruta estragada, que contamina todas as outras frutas que estão na cesta de nosso coração. A reflexão de hoje foi proposta pelo saudoso Padre Leo, em seu livro “A cura do ressentimento”. Nele, o Padre analisa um trecho importante da Bíblia com muita sabedoria.

O trecho a seguir é da Carta de São Paulo aos Efésios:

“Portanto, eis que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas ideias frívolas. Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à prática apaixonada de toda espécie de impureza. Vós, porém, não foi para isto que vos tornastes discípulos de Cristo, se é que o ouvistes e dele aprendestes, como convém à verdade em Jesus. Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras. Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma, e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. Por isso, renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros. Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio. Quem era ladrão não torne a roubar, antes trabalhe seriamente por realizar o bem com as suas próprias mãos, para ter com que socorrer os necessitados. Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo”. (Ef 4,17-32).

No livro, Padre Leo brilhantemente explica o trecho acima de maneira bem atual, para aplicarmos em nossa vida cotidiana. Perceba:

Como somos chamados a ser guiados pelo Espírito Santo e não a entristecê-lo, não podemos viver pelas reações sentimentais negativas. Logo, mesmo em cólera, não podemos pecar. Ou seja, é preciso aprender a trabalhar esse sentimento, essa reação. O cristão precisa ir além da reação pura e simples. Para isso é preciso combater o sentimento negativo, e quando isso for impossível não deixar que ele se transforme em pecado, pois então ele se torna um habitat natural para o encardido agir em nosso coração.

Se for impossível evitar o sentimento negativo, é possível evitar que ele se transforme em ressentimento. Para isso, a primeira grande coisa a fazer é não permitir que o sol se ponha sobre ele.

O que o sol faz? Ilumina, esclarece, dá firmeza e consistência e ainda prolonga a vida. Como no processo que o sertanejo gosta de fazer para obter a deliciosa carne-de-sol, o charque. A carne é deixada sob o sol para ser “curada”. É o mesmo processo do queijo curado, mais saboroso e conservado com maior facilidade.

Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento significa também não ir dormir com o problema. Quando se deita, a pessoa fica remoendo seu dia. Quando leva um ressentimento para a cama, acaba por alimentá-lo, ruminando, sonha com o problema, e, quando amanhece o dia seguinte, o problema, sem dúvida, estará muito maior. É preciso resolver na hora. Não prolongar.

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